Pular para o conteúdo
Fisioterapia, Pilates e formação em terapia manual · Maringá-PR
BioMoov

Para pacientes

Dor lombar: 4 mitos e quando procurar um fisioterapeuta

A dor lombar é muito comum e, na maioria dos casos, os episódios novos melhoram em pouco tempo. Ela raramente tem uma causa grave identificável, e um exame de imagem alterado nem sempre explica a dor. Vale procurar um fisioterapeuta quando a dor limita o seu dia, volta com frequência ou não evolui como o esperado. Alguns sinais pedem médico com urgência, e estão listados no fim do artigo.

Milena AranhaPublicado em 5 min de leitura

Revisão técnica pendente: conteúdo em revisão pela equipe BioMoov antes da publicação.

Neste artigo · 9 tópicos
  1. Dor lombar é muito comum
  2. Mito 1: toda dor lombar é sinal de algo grave
  3. Mito 2: o exame de imagem mostra a causa da dor
  4. Mito 3: o melhor é ficar de repouso
  5. Mito 4: se a dor passou, acabou
  6. Então, o que a fisioterapia faz?
  7. E se for algo mais sério?
  8. Em resumo
  9. Quando procurar um fisioterapeuta

Dor lombar é muito comum

A dor lombar acontece em países de todas as rendas e em todas as idades, e, segundo um artigo de 2018 da série sobre dor lombar da revista The Lancet, é a principal causa de incapacidade no mundo [1]. Quase sempre é a dor na parte baixa das costas, que pode ou não descer para a perna. Se ela desce, veja o artigo sobre dor no ciático.

Mito 1: toda dor lombar é sinal de algo grave

Na grande maioria das pessoas, não é possível apontar uma causa específica para a dor. Apenas uma pequena parte tem uma causa bem identificada, como uma fratura de vértebra, um tumor ou uma infecção [1].

Isso não quer dizer que a dor seja “da sua cabeça”. Ela é real. Quer dizer que, na maior parte das vezes, ela não indica uma doença grave, e que o foco do cuidado é entender o que piora e o que alivia e como recuperar o movimento.

Mito 2: o exame de imagem mostra a causa da dor

Nem sempre. Uma revisão sistemática de 33 estudos com 3.110 pessoas sem dor nas costas encontrou sinais de degeneração nos exames de imagem em grande parte delas, e mais com o avanço da idade. Pelas estimativas dos autores, degeneração de disco apareceu em 37% das pessoas aos 20 anos e em 96% aos 80 anos. Abaulamento de disco foi visto em 30% aos 20 e em 84% aos 80 [2].

Os autores concluem que muitos desses achados fazem parte do envelhecimento normal e não estão associados a dor, e que precisam ser interpretados junto com o quadro clínico do paciente [2]. Por isso, um laudo com “hérnia”, “abaulamento” ou “bico de papagaio” não explica sozinho a sua dor. Veja também hérnia de disco e bico de papagaio.

O exame de imagem tem o seu lugar, indicado pelo médico, principalmente quando há sinais de alerta ou a dor não evolui como esperado.

Mito 3: o melhor é ficar de repouso

Uma revisão da Cochrane de 2010 comparou o conselho de repouso na cama com o conselho de continuar ativo na dor lombar aguda. Para quem tinha dor lombar aguda, houve pequenos ganhos de dor e de função a favor de continuar ativo. Para quem tinha dor com irradiação para a perna (ciática), a diferença foi pequena ou inexistente [3].

Na prática, ficar na cama por dias não costuma ajudar. Isso não significa forçar a dor. Significa manter as atividades possíveis dentro do que você tolera e, se tiver dúvida de quanto pode fazer, pedir orientação.

Mito 4: se a dor passou, acabou

A maioria das pessoas com um episódio novo se recupera rápido, mas é comum a dor voltar. Em uma parte pequena das pessoas, ela se torna persistente. Dor inicial muito intensa, sofrimento emocional e dor em vários lugares do corpo aumentam o risco de a dor durar [1].

Por isso, vale prestar atenção a um padrão que se repete, mesmo que cada episódio passe.

Então, o que a fisioterapia faz?

A mesma revisão da Cochrane (2010) encontrou, na dor lombar aguda, evidência de qualidade baixa de pouca ou nenhuma diferença entre aconselhar a continuar ativo, fazer exercícios ou repouso; na ciática, um único estudo com fisioterapia também não mostrou diferença clara [3]. Por isso, nem todo episódio agudo precisa de fisioterapia.

Ela faz mais sentido quando a dor limita o seu dia a dia, volta com frequência ou não evolui como esperado. Na avaliação, o fisioterapeuta investiga onde a dor começa, o que piora e o que alivia, a mobilidade da coluna e do quadril e a força do tronco, e monta um plano individual. Saiba mais em por que a fisioterapia começa pela avaliação.

E se for algo mais sério?

Os guias de tratamento listam sinais de alerta para quatro grupos de condições: tumor, fratura, síndrome da cauda equina e infecção. Mas os guias não concordam sobre quais sinais exatos usar, e faltam estudos sobre quão bem eles funcionam [4]. Por isso, na dúvida, procure avaliação médica. A lista dos sinais que pedem médico com urgência aparece no fim deste artigo. Em caso de urgência, procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU, no 192.

Em resumo

Frequência
A dor lombar é muito comum; a maioria dos episódios novos melhora em pouco tempo, mas pode voltar.
Causa
Em geral, não há uma causa grave identificável.
Exame de imagem
Alterações aparecem em muita gente sem dor; o laudo precisa ser lido junto com o quadro clínico.
Repouso
Na dor lombar aguda, ficar de cama por dias não costuma ajudar (ganho pequeno a favor de manter-se ativo); na ciática, a revisão de 2010 não achou diferença.
Fisioterapia
Faz mais sentido quando a dor limita o dia, volta ou não evolui como esperado.

Quando procurar um fisioterapeuta?

Procure um fisioterapeuta quando a dor ou o desconforto durar mais de algumas semanas, voltar com frequência ou começar a limitar o que você faz no dia a dia, como trabalhar, treinar ou dormir.

Procure um médico com urgência se a dor vier com algum destes sinais:

  • perda de força na perna ou no braço, que piora com o tempo;
  • dormência na região íntima ou alteração no controle da urina ou das fezes;
  • dor depois de queda ou acidente;
  • febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer;
  • dor forte que não alivia em nenhuma posição, nem em repouso.
Retrato de Milena Aranha sorrindo, de blazer claro
Escrito por

Milena Aranha

Fisioterapeuta · Mestre em Promoção da Saúde

Doutoranda em Promoção da Saúde pela Unicesumar e pesquisadora visitante na Universidad de Salamanca (Espanha). Criadora do Método Milena Aranha.

CREFITO-8/293862-F

Referências

  1. Hartvigsen J, Hancock MJ, Kongsted A, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, 2018;391(10137):2356-2367. (PubMed 29573870; conferido em 2026-10-23, pelo resumo)
  2. Brinjikji W, Luetmer PH, Comstock B, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol, 2015;36(4):811-816. (PubMed 25430861; conferido em 2026-10-23, pelo resumo)
  3. Dahm KT, Brurberg KG, Jamtvedt G, Hagen KB. Advice to rest in bed versus advice to stay active for acute low-back pain and sciatica. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2010;(6):CD007612. (PubMed 20556780; conferido em 2026-10-23, pelo resumo)
  4. Verhagen AP, Downie A, Popal N, Maher C, Koes BW. Red flags presented in current low back pain guidelines: a review. European Spine Journal, 2016;25(9):2788-2802. (PubMed 27376890; conferido em 2026-10-23, pelo resumo)

Está com dor lombar e não sabe por onde começar?

Conte o que você está sentindo. A avaliação mostra o melhor caminho para o seu caso.