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Fisioterapia, Pilates e formação em terapia manual · Maringá-PR
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Para pacientes

De onde vem o “crec” na quiropraxia?

O “crec” que você ouve num ajuste vem de dentro da articulação: com uma mudança rápida de pressão, forma-se uma bolha de gás no líquido que a lubrifica, e é isso que faz o som. Não é um osso voltando para o lugar. E um estalo mais alto não quer dizer que o tratamento funcionou melhor.

Bruno TavaresPublicado em 3 min de leitura

Revisão técnica pendente: conteúdo em revisão pela equipe BioMoov antes da publicação.

Neste artigo · 7 tópicos
  1. O que acontece dentro da articulação?
  2. Então o osso não “volta para o lugar”?
  3. O barulho significa que deu certo?
  4. Toda sessão de quiropraxia tem estalo?
  5. E estalar o próprio pescoço ou as costas?
  6. Em resumo
  7. Quando procurar um fisioterapeuta

O que acontece dentro da articulação?

As articulações da coluna, dos dedos e de outras partes do corpo são envolvidas por uma cápsula com um líquido que lubrifica o movimento, o líquido sinovial. Esse líquido tem gases dissolvidos.

Quando um ajuste afasta as duas superfícies da articulação de forma rápida, a pressão ali dentro cai. Nesse momento, forma-se uma pequena cavidade de gás no líquido. Esse fenômeno se chama cavitação, e é ele que produz o som.

Diagrama em três quadros: a articulação em repouso envolvida por líquido; as duas superfícies se afastando quando a pressão muda; uma bolha de gás se formando no líquido.
  1. Em repousoAs superfícies da articulação, envolvidas por líquido.
  2. A pressão mudaNo movimento, as superfícies se afastam um pouco.
  3. Forma-se uma bolhaÉ daí que vem o som. Nenhum osso “volta para o lugar”.

Pesquisas com ressonância magnética em tempo real conseguiram registrar a formação dessa cavidade no exato momento do estalo [1].

Então o osso não “volta para o lugar”?

Não. A ideia de que o estalo é um osso voltando para o lugar é muito popular, mas não corresponde ao que acontece. Pense assim: se cada estalo fosse uma vértebra voltando para o lugar, a sua coluna estaria saindo do lugar o tempo todo.

O que um ajuste pode fazer é mudar a forma como a região se movimenta e como o seu sistema nervoso percebe aquela área. É por isso que a avaliação importa mais do que o barulho.

O barulho significa que deu certo?

Não. O som é só o som. Aquele “crec” pode até dar uma sensação de satisfação, mas ele não diz se o atendimento funcionou.

O que mostra se o tratamento está funcionando são três perguntas que a gente faz em cada sessão:

  • Você está se movimentando melhor?
  • A dor diminuiu?
  • Ficou mais fácil fazer o que antes incomodava?

Toda sessão de quiropraxia tem estalo?

Não. Um ajuste pode acontecer praticamente sem barulho. E, em alguns casos, a manipulação nem é a melhor escolha: a avaliação pode mostrar que liberação miofascial, exercício ou Pilates fazem mais sentido para o seu caso.

Quiropraxia não é sair “estralando” o corpo inteiro. É entender onde, por que e quando intervir.

E estalar o próprio pescoço ou as costas?

Estalos espontâneos, que acontecem quando você se espreguiça, são comuns. Mas, se você sente necessidade de estalar sempre o mesmo ponto para aliviar um incômodo, vale investigar por que aquela região fica travada.

Evite manobras bruscas por conta própria, principalmente no pescoço. Elas aliviam por pouco tempo e não tratam a causa. Se o pescoço travou de vez, veja o que fazer no torcicolo.

Em resumo

De onde vem o som
De uma bolha de gás que se forma no líquido da articulação (cavitação).
O que não é
Um osso voltando para o lugar.
O que mede o resultado
Movimento, dor e facilidade no dia a dia, não o volume do estalo.
Toda sessão tem estalo?
Não. Às vezes a manipulação nem é a melhor escolha.

Quando procurar um fisioterapeuta?

Procure um fisioterapeuta quando a dor ou o desconforto durar mais de algumas semanas, voltar com frequência ou começar a limitar o que você faz no dia a dia, como trabalhar, treinar ou dormir.

Procure um médico com urgência se a dor vier com algum destes sinais:

  • perda de força na perna ou no braço, que piora com o tempo;
  • dormência na região íntima ou alteração no controle da urina ou das fezes;
  • dor depois de queda ou acidente;
  • febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer;
  • dor forte que não alivia em nenhuma posição, nem em repouso.
Retrato de Bruno Tavares, de terno azul-marinho, em um escritório com estante de livros
Escrito por

Bruno Tavares

Fisioterapeuta · Mestre em Promoção da Saúde

Fisioterapeuta, massoterapeuta e professor. Especialista em dor e movimento e criador do Método BioMoov.

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Referências

  1. Kawchuk GN, Fryer J, Jaremko JL, et al. Real-time visualization of joint cavitation. PLoS ONE, 2015. (verificar antes de publicar)
  2. Unsworth A, Dowson D, Wright V. “Cracking joints”: a bioengineering study of cavitation in the metacarpophalangeal joint. Annals of the Rheumatic Diseases, 1971. (verificar antes de publicar)

Quer entender o que está travando o seu movimento?

Na avaliação, a gente investiga onde, por que e quando intervir, com ou sem estalo.