Para pacientes
De onde vem o “crec” na quiropraxia?
O “crec” que você ouve num ajuste vem de dentro da articulação: com uma mudança rápida de pressão, forma-se uma bolha de gás no líquido que a lubrifica, e é isso que faz o som. Não é um osso voltando para o lugar. E um estalo mais alto não quer dizer que o tratamento funcionou melhor.
Bruno TavaresPublicado em 3 min de leituraRevisão técnica pendente: conteúdo em revisão pela equipe BioMoov antes da publicação.
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O que acontece dentro da articulação?
As articulações da coluna, dos dedos e de outras partes do corpo são envolvidas por uma cápsula com um líquido que lubrifica o movimento, o líquido sinovial. Esse líquido tem gases dissolvidos.
Quando um ajuste afasta as duas superfícies da articulação de forma rápida, a pressão ali dentro cai. Nesse momento, forma-se uma pequena cavidade de gás no líquido. Esse fenômeno se chama cavitação, e é ele que produz o som.
- Em repousoAs superfícies da articulação, envolvidas por líquido.
- A pressão mudaNo movimento, as superfícies se afastam um pouco.
- Forma-se uma bolhaÉ daí que vem o som. Nenhum osso “volta para o lugar”.
Pesquisas com ressonância magnética em tempo real conseguiram registrar a formação dessa cavidade no exato momento do estalo [1].
Então o osso não “volta para o lugar”?
Não. A ideia de que o estalo é um osso voltando para o lugar é muito popular, mas não corresponde ao que acontece. Pense assim: se cada estalo fosse uma vértebra voltando para o lugar, a sua coluna estaria saindo do lugar o tempo todo.
O que um ajuste pode fazer é mudar a forma como a região se movimenta e como o seu sistema nervoso percebe aquela área. É por isso que a avaliação importa mais do que o barulho.
O barulho significa que deu certo?
Não. O som é só o som. Aquele “crec” pode até dar uma sensação de satisfação, mas ele não diz se o atendimento funcionou.
O que mostra se o tratamento está funcionando são três perguntas que a gente faz em cada sessão:
- Você está se movimentando melhor?
- A dor diminuiu?
- Ficou mais fácil fazer o que antes incomodava?
Toda sessão de quiropraxia tem estalo?
Não. Um ajuste pode acontecer praticamente sem barulho. E, em alguns casos, a manipulação nem é a melhor escolha: a avaliação pode mostrar que liberação miofascial, exercício ou Pilates fazem mais sentido para o seu caso.
Quiropraxia não é sair “estralando” o corpo inteiro. É entender onde, por que e quando intervir.
E estalar o próprio pescoço ou as costas?
Estalos espontâneos, que acontecem quando você se espreguiça, são comuns. Mas, se você sente necessidade de estalar sempre o mesmo ponto para aliviar um incômodo, vale investigar por que aquela região fica travada.
Evite manobras bruscas por conta própria, principalmente no pescoço. Elas aliviam por pouco tempo e não tratam a causa. Se o pescoço travou de vez, veja o que fazer no torcicolo.
Em resumo
- De onde vem o som
- De uma bolha de gás que se forma no líquido da articulação (cavitação).
- O que não é
- Um osso voltando para o lugar.
- O que mede o resultado
- Movimento, dor e facilidade no dia a dia, não o volume do estalo.
- Toda sessão tem estalo?
- Não. Às vezes a manipulação nem é a melhor escolha.
Quando procurar um fisioterapeuta?
Procure um fisioterapeuta quando a dor ou o desconforto durar mais de algumas semanas, voltar com frequência ou começar a limitar o que você faz no dia a dia, como trabalhar, treinar ou dormir.
Procure um médico com urgência se a dor vier com algum destes sinais:
- perda de força na perna ou no braço, que piora com o tempo;
- dormência na região íntima ou alteração no controle da urina ou das fezes;
- dor depois de queda ou acidente;
- febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer;
- dor forte que não alivia em nenhuma posição, nem em repouso.

Bruno Tavares
Fisioterapeuta · Mestre em Promoção da SaúdeFisioterapeuta, massoterapeuta e professor. Especialista em dor e movimento e criador do Método BioMoov.
CREFITO a confirmarReferências
- Kawchuk GN, Fryer J, Jaremko JL, et al. Real-time visualization of joint cavitation. PLoS ONE, 2015. (verificar antes de publicar)
- Unsworth A, Dowson D, Wright V. “Cracking joints”: a bioengineering study of cavitation in the metacarpophalangeal joint. Annals of the Rheumatic Diseases, 1971. (verificar antes de publicar)
